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Ex-piloto de avião, avicultor detalha os custos para manter a operação de sua granja

Didácio Milhomens - avicultor ex-piloto de avião

Produzir frangos com eficiência não depende apenas dos resultados zootécnicos. O controle dos custos, a manutenção da estrutura e o planejamento dos investimentos também fazem parte da rotina de quem busca manter a atividade economicamente sustentável.

Com cerca de 20 anos de experiência na avicultura, o produtor Didácio Milhomens, ex-piloto de avião, afirma que acompanha diariamente as despesas da granja e mantém uma reserva financeira para situações não previstas.

“O controle vem desde o início. Quando o lote está saindo, eu vejo o que vou receber, o que vou gastar, o que vai sobrar e o que vou deixar como uma salvaguarda para alguma coisa que quebra”, detalha.

Segundo ele, a estratégia é necessária porque uma falha em máquinas ou equipamentos pode gerar despesas que não estavam programadas. Na propriedade, uma manutenção pode facilmente ultrapassar R$ 5 mil.

Energia está entre os principais custos

Entre as despesas de uma granja, Milhomens destaca a energia elétrica. Na propriedade, o produtor investiu em geração solar para reduzir esse impacto. De acordo com seus cálculos, sem o sistema fotovoltaico, a conta de energia da estrutura poderia ficar entre R$ 18 mil e R$ 20 mil por mês.

“Você tem que começar um projeto desse já com a ideia de colocar uma usina solar. Se não colocar, corre o risco de reduzir a margem e começar a se endividar”, avalia.

A lista de gastos ainda inclui funcionários, manutenção de máquinas e equipamentos, combustível, geradores, vestimentas e equipamentos utilizados pelos trabalhadores, além das parcelas de financiamentos contratados para os investimentos na propriedade.

O combustível é outro item acompanhado de perto. Milhomens estima consumir entre 100 e 120 litros de óleo diesel por lote, além de aproximadamente 80 litros de gasolina.

O produtor também aponta a mecanização como uma estratégia para aumentar a eficiência operacional da granja. Entre os equipamentos utilizados estão tratores, máquinas para manejo da cama, equipamentos motorizados para diferentes serviços e estruturas destinadas ao transporte e tratamento das aves mortas.

“Uma granja desse tamanho, se você não tiver esses equipamentos, não consegue. Teria que ter dez pessoas para fazer um serviço que uma máquina faz”, afirma.

A mecanização, porém, cria outra necessidade: manter os equipamentos funcionando. Por isso, manutenção preventiva e recursos disponíveis para reparos precisam entrar no planejamento financeiro.

Bom manejo influencia resultado financeiro

Embora considere o planejamento financeiro indispensável, o avicultor ressalta que a rentabilidade começa dentro do aviário. Indicadores como ganho de peso diário e mortalidade têm influência direta sobre o resultado do lote. Ambiência adequada e acompanhamento das aves ajudam a melhorar esses resultados.

“Se eu não tiver um bom manejo, não vou ter um bom financeiro. Na minha concepção, o bom manejo traz o financeiro”, resume.

Isso significa que gestão financeira e eficiência produtiva precisam caminhar juntas. Um lote com desempenho abaixo do esperado pode reduzir a receita e comprometer um planejamento que, no papel, estava equilibrado.

Milhomens faz o acompanhamento das contas pelo computador, celular e anotações próprias. O produtor também utiliza uma conta de retenção relacionada ao financiamento da granja. A cada lote, parte da receita é direcionada para essa conta com o objetivo de garantir recursos para o pagamento das parcelas. A estratégia também permite acompanhar antecipadamente a capacidade de pagamento.

O produtor afirma já ter antecipado parcelas de financiamento quando havia disponibilidade de recursos. Ao mesmo tempo, procura manter uma margem de segurança diante de possíveis aumentos de custos ou despesas inesperadas.

“Eu já estou programando para que daqui a 60 dias não seja pego de surpresa. Se tudo subir, tenho uma reserva para manter essa granja funcionando”, explica.

Investimento começa antes da construção dos aviários

Para quem pretende ingressar na avicultura, Milhomens recomenda que o planejamento comece antes mesmo da contratação do financiamento.

O cálculo deve considerar não apenas o custo dos galpões, mas também o preço da propriedade, infraestrutura complementar, máquinas, equipamentos e demais estruturas necessárias para a operação.

Segundo ele, na implantação de sua propriedade, os chamados periféricos representaram uma parcela significativa do investimento total. Outro ponto é avaliar se a receita projetada para os lotes será suficiente para pagar as parcelas do financiamento e ainda preservar margem para a operação.

“Você tem que ter todo esse trabalho de orçamento, planejamento e projeto”, afirma.

O produtor também chama atenção para as condições do crédito. Em um cenário de juros elevados, Milhomens considera necessário avaliar cuidadosamente o custo do financiamento e sua compatibilidade com a capacidade de geração de receita da granja.

Além disso, um dos desafios apontados pelo produtor é a diferença entre a velocidade de reajuste das receitas e a dos gastos da atividade. “Enquanto nós temos um reajuste anual, os custos são diários, às vezes”, afirma.

Apesar da pressão sobre as margens, Milhomens mantém uma perspectiva positiva para a demanda por carne de frango. Para ele, entretanto, essa expectativa não elimina a necessidade de fazer as contas antes de investir.

A combinação entre manejo eficiente, controle de custos, reserva para imprevistos e planejamento dos financiamentos é o que permite ao produtor atravessar oscilações de preços e manter a estrutura funcionando ao longo dos lotes.

O post Ex-piloto de avião, avicultor detalha os custos para manter a operação de sua granja apareceu primeiro em Interligados.

Fonte: Ligados e Integrados. Disponível em: https://interligados.canalrural.com.br/avicultura/ex-piloto-de-aviao-avicultor-detalha-os-custos-para-manter-a-operacao-de-sua-granja/

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