
Produzir aves em escala comercial exige uma rotina permanente de prevenção. Da entrada de pessoas e veículos na propriedade ao manejo da cama entre os lotes, diferentes medidas de biosseguridade são adotadas para reduzir o risco de introdução e disseminação de vírus, bactérias e outros agentes capazes de comprometer a sanidade dos plantéis.
Segundo a extensionista rural da unidade da Seara em Nuporanga, no interior de São Paulo, Elisangela Zampieri, a biosseguridade reúne procedimentos que atuam antes que um problema sanitário se instale na propriedade.
“Através de um conjunto de medidas e procedimentos, a gente consegue prevenir a entrada de doenças na granja”, contextualiza.
Entre os desafios sanitários citados pela profissional estão infecções por estafilococos e salmonela, além de doenças como influenza aviária e Newcastle. A prevenção também envolve protozoários e outros agentes que podem chegar aos aviários por diferentes vias.
Influenza aviária e prevenção
A influenza aviária é um exemplo de como uma ocorrência sanitária pode produzir consequências que ultrapassam os limites da propriedade. Além dos impactos sobre os animais, determinados vírus da influenza aviária têm potencial zoonótico e podem provocar reflexos econômicos e comerciais.
Uma ocorrência pode levar à adoção de medidas sanitárias rigorosas e provocar restrições comerciais, dependendo das características do foco e das exigências dos países compradores. Por isso, Elisangela afirma que a prevenção precisa fazer parte da rotina de produtores e trabalhadores.
“Todo extensionista e sanitarista frisa muito para os funcionários e granjeiros a questão da biosseguridade”, diz.
Ela ressalta que os protocolos começam antes mesmo da entrada no aviário. Nas propriedades acompanhadas pela integração, há registro de visitantes e controle dos materiais e equipamentos que ingressam no núcleo produtivo.
Os veículos passam por procedimentos de desinfecção, enquanto as pessoas devem higienizar as mãos e utilizar vestimentas adequadas. Também há estruturas de isolamento, como cercas, além de medidas para controle de roedores e insetos.
Quem trabalha diariamente na propriedade também segue regras específicas. Calçados utilizados na área externa não devem ser os mesmos usados dentro dos galpões. Segundo a extensionista da Seara, há calçados destinados a cada aviário, além dos procedimentos de higienização das mãos antes da entrada.
A adoção das medidas busca evitar que pessoas, objetos, veículos ou equipamentos funcionem como vetores para a entrada de agentes infecciosos.
Vazio sanitário prepara aviário para próximo lote
Entre um lote e outro, os aviários passam por procedimentos de limpeza e desinfecção e por um período de vazio sanitário. De acordo com Elisangela, para lotes negativos para salmonela, esse intervalo fica entre 12 e 15 dias nas propriedades acompanhadas.
O protocolo pode mudar quando há resultado positivo para o agente, com procedimentos específicos para aquela situação. Durante o vazio, o objetivo é reduzir a presença de agentes patogênicos no ambiente e preparar as instalações para receber novas aves. O período também envolve controle de insetos, incluindo o cascudinho, e recuperação da cama.
“Tudo inicia no vazio sanitário. Se os colaboradores não desempenharem conforme a gente orienta, podemos ter problemas no próximo lote, desde os indicadores técnicos até a sanidade”, afirma.
A condição da cama dos aviários é outro ponto relevante para o desempenho sanitário e produtivo. Em períodos de elevada umidade, os cuidados começam pela escolha do material e passam pelo manejo realizado durante o ciclo. Dependendo das condições e da estratégia adotada, podem ser utilizados produtos para modificar características da cama.
Uma possibilidade é a alcalinização com cal, que auxilia no controle da umidade. Também existem produtos acidificantes, utilizados com objetivos como reduzir o pH e contribuir para o controle da volatilização da amônia.
Mas o manejo não depende apenas desses produtos. Regulagem dos bebedouros tipo nipple, densidade das aves, ventilação e revolvimento da cama também interferem nas condições do ambiente.
A extensionista detalha que nas criações de ciclo mais longo, como matrizes pesadas e poedeiras, o acompanhamento precisa considerar a permanência prolongada das aves nas instalações. Já no frango de corte, devido ao ciclo mais curto, o período entre os lotes ganha importância para preparar adequadamente o ambiente para o próximo alojamento.
Contudo, é válido lembrar que além de estabelecer regras, os procedimentos de biosseguridade precisam ser compatíveis com a realidade de cada granja.
A responsabilidade é compartilhada entre empresa e produtor. Cabe à integradora estabelecer orientações claras e oferecer suporte técnico, enquanto o produtor e os colaboradores precisam executar diariamente os procedimentos dentro da propriedade.
Protocolos complexos ou incompatíveis com a rotina tendem a dificultar a adesão. Por isso, as medidas precisam ser objetivas, compreendidas por quem trabalha na granja e aplicadas continuamente.
Para Elisangela, o resultado da prevenção também aparece nos indicadores produtivos. “Se a gente tem um lote saudável e protegido, vai ter melhor desempenho. Com isso, o produtor garante sua rentabilidade, seu resultado final e a qualidade do frango”, afirma.
A especialista reforça que biosseguridade não é uma ação pontual realizada apenas diante de uma ameaça sanitária. Trata-se de uma rotina permanente. “É contínuo. Os desafios sanitários são constantes. Todos os dias a gente enfrenta uma bactéria, um vírus que não consegue ver, mas consegue prevenir”, conclui.
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Fonte: Ligados e Integrados. Disponível em: https://interligados.canalrural.com.br/avicultura/biosseguridade-nas-granjas-veja-os-cuidados-que-ajudam-a-proteger-a-producao-de-aves/







